O pão nosso de cada dia: a história do pão

 em Dejú, Pão

O pão é o “ingrediente” básico na história da humanidade. Um alimento ligado ao sustento, à sobrevivência, mas também com práticas culinárias menos ou mais sofisticadas de todos os tipos. 

Os nossos hábitos e preferências alimentares mudaram muito ao longo dos séculos, entretanto, o pão permaneceu e ainda é parte integrante de nossa refeição: um alimento que durou além de quaisquer diferenças raciais, religiosas, geográficas, sociais ou políticas. 

E, assim como tudo, o pão também se adaptou, mas seu consumo continua sendo sobretudo, um verdadeiro ato simbólico, quase ritual.  

Perceba: o pão está presente em todos os momentos-chave das nossas vidas.

Fez-se o pão 

A história do pão se confunde com a presença humana na terra e é um dos alimentos mais antigos do mundo.  

Para sermos mais precisos, há registros de 30 mil anos atrás, sobre pães feitos do amido de plantas e cozido sobre rochas. Desde então, temos aprimorado e experimentado sabores baseados nesse alimento milenar à base de água, grãos e calor. 

Segundo os historiadores, o pão fermentado, mais próximo ao consumido por nós hoje em dia, foi inventado no Egito Antigo, há 6 mil anos antes de Cristo. 

Acredita-se que o clima quente dessa região tenha favorecido o processo de fermentação da cevada, o grão utilizado para o pão e que também levou ao surgimento de outra iguaria: a cerveja.

E vamos combinar que de pão e cerveja nós brasileiros entendemos bem, certo?

O pão na Idade Antiga  

Dessa forma, em todo o mundo, nos séculos seguintes, diferentes sociedades desenvolveram suas próprias versões de pão. Alguns fermentados, outros não. 

Os romanos, no século 5 a.C, por exemplo, inventaram a moagem de trigo, uma engrenagem responsável por limpar e separar os grãos e, com isso, elevaram o pão ao que foi posteriormente considerado como uma verdadeira forma de arte.  

Tanto os romanos quanto os gregos adoravam pão. E faziam diversos tipos de pães, experimentando as formas e adicionando frutas, especiarias e mel, por exemplo. 

Também já havia padarias naquela época e os padeiros eram considerados artesãos de muito respeito entre a sociedade.  Sim, aqueles homens que já acordavam de madrugada para sovar a massa e deixá-la perfeita para seus consumidores eram tidos como verdadeiros mestres do trigo.

Senhores merecedores de todas as honras e seus conhecimentos possuíam valor inestimável para a sociedade romana. 

Na tradição cristã, as menções ao pão são várias. Há um pedido para receber pão diário, na oração do Pai Nosso, enquanto que na Última Ceia, Cristo abençoou o pão e o comparou com Seu Corpo.

A devoção das pessoas ao pão diário – um alimento que nunca é jogado fora – indica sua importância nas práticas religiosas e na vida cotidiana. 

Os povos vikings e normandos, por exemplo, também comiam muito pão, geralmente feitos de grãos de centeio em vez de trigo.  Inclusive, os normandos às vezes faziam um grande pão achatado que eles usavam como prato para o jantar. Assim, se estivessem com muita fome também comeriam seus pratos. Não parece uma ótima ideia? 

A Idade Média e o pão 

Já nos tempos medievais, por volta do século 6 d.C, na Europa, o pão tornou-se um símbolo de status social.  

Ou seja, as classes mais altas das sociedades preferiram pães finos e brancos, enquanto os que possuíam pior status foram deixados com o centeio, o farelo e os pães mais grossos. 

De qualquer forma, o pão saciava a fome ao mesmo tempo em que unia famílias. Afinal, para partilhar o pão, era necessário, sobretudo, se reunir. 

Durante esse período, o pão também foi usado como parte da louça, chamado de “valetador” ou “valetadeira”,  um pedaço de pão velho que servia para absorver alimentos líquidos. 

No final de uma refeição, a valetadeira era então comida, dada aos pobres ou alimentava os cães. Existe, inclusive, uma teoria de que a pizza se originou dos pães de valetadeira.

No século XV, entretanto, as valetadeiras de madeira começaram a substituir a variedade de pães. Infelizmente, durante a Idade Média, principalmente na Inglaterra, os tempos ficaram muito difíceis.

Isso porque além da Guerra Civil, houve inúmeros desastres naturais, como inundações e geadas, que destruíram muitas das colheitas de trigo.

E, se não havia trigo, não havia grão, o que consequentemente, significava, sem pão, o que causava muito sofrimento, especialmente entre os mais pobres que ficavam à mercê da fome. 

Por esse motivo, durante algum tempo na Inglaterra, o preço do pão chegou a ser fixado, para que o principal alimento daquelas pessoas não faltasse na mesa dos  que mais necessitavam.

Pães, máquinas e consumo

Desde a disseminação de máquinas automatizadas para amassar o pão e moer os grãos no século 19, as técnicas de cozimento e moagem evoluíram imensamente. 

A adição de produtos químicos entrou em jogo durante o século XX e o pão ficou mais branco, mais macio, durando muito mais tempo. De modo que nos dias de hoje, os métodos de coleta e processamento de grãos mudaram drasticamente. 

E o trigo não é mais a única opção: agora também estão disponíveis farinhas de outros cereais, como milho, centeio, cevada e outras misturas, assim como a variedade de seus acompanhamentos. 

Porém, no início do século XXI, padeiros ao redor do mundo inteiro passaram a “voltar às raízes” e buscaram produzir pães de modo mais artesanal, mais saudáveis e com menos aditivos químicos, o que nos lembra bastante dos mestres padeiros da Roma Antiga, não lembra?

Atualmente, o pão é um dos alimentos mais baratos e saudáveis disponíveis no mercado sendo consumido todos os dias pela maioria das pessoas ao redor do mundo em suas mais variadas formas, como o bauru, por exemplo. 

Falando em estimativas, estudos apontam que 60% da população mundial coma pão diariamente; que uma ceifeira leve 9 segundos para colher trigo suficiente para produzir cerca de 70 pães e que o brasileiro coma em média 42 quilos de pão por ano. 

Com uma variedade tão grande de pães disponíveis, de um crocante pão francês tradicional à uma baguete italiana, alimentar-se de pão é uma verdadeira viagem gastronômica e histórica! 

Pão é amor 

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Imagem: Shutterstock

Entretanto, apesar dos notáveis progressos científicos, das rápidas conquistas tecnológicas, da padronização dos métodos e das matérias-primas envolvidas, a preparação de um pão de boa qualidade ainda envolve, em grande parte, o dom humano. 

Pois, aspectos como conhecimento, inspiração, amor, habilidade e experiência combinados com o domínio de selecionar cuidadosamente e misturar lindamente os ingredientes certos, são elementos que máquina alguma possui.

Afinal, nosso alimento primordial, possui um quarto elemento essencial e ele se chama afeto. 

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